sexta-feira, 21 de março de 2014

Néctar e Pólen tóxicos para as abelhas

Sabiam que algumas árvores apresentam substâncias tóxicas para as abelhas e que podem levar as colônias das nossas Meliponas à morte?

É importante ler o capitulo 29 do livro de PNN: "Plantas indesejáveis para as abelhas ou para as pessoas".

Livro PNN: http://www.webbee.org.br/webbee123/publicacoes/livro_pnn.pdf

Hoje, saiu no G1 uma reportagem sobre as perdas de um meliponicultor em Marília.

Segue: substancia-toxica-de-flor-provoca-morte-de-15-mil-abelhas-em-marilia.html

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Criação de abelhas sem ferrão - Parte 1 - Sobre as abelhas


Depois de algum tempo sem postar nada, vou iniciar uma série de postagens para curiosos, conservacionistas, meliponicultores e quem mais quiser aprender alguma coisa sobre abelhas.


Aproveito para informar que todas as citações e fotos que foram postadas estão com seus devidos links de referência e que os blogs e sites de meliponicultura referenciados servirão para aprofundar ainda mais seu conhecimento.


Let´s go!


As abelhas são os principais polinizadores da flora e, portanto, dependemos delas para sobreviver.


Estamos em constante processo de desmatamento e remoção das áreas de nidificação das nossas abelhas, que são muito sensíveis à ausência da flora, pois, usam as árvores de grande porte e espessura do tronco para construírem seus ninhos e as demais arvores para coletarem seu alimento, que em quase 100% das abelhas é composto por néctar e pólen.


Com a chegada das abelhas africanizadas, as amarelinhas com preto que costumam tomar nosso refrigerante nas cidades, as abelhas nativas e o restante da fauna perderam muito espaço, pois, estas abelhas liberam muitos enxames na natureza, ocupando os locais de nidificação de pássaros (tucanos, papagaios, periquitos, araras, corujas, etc.), de animais terrestres e inclusive que seriam usados pelas nossas abelhas.


Um enxame de abelha africanizada possui alta capacidade de sobrevivência e reprodução, sendo alguns dados muito relevantes para entendermos a diferença de força entre essas abelhas e nossa fauna. Ex:


·         Africanizadas: 60.000 abelhas por colônia, a rainha voa em caso de problemas (queimadas, etc.) e salva o enxame;


·         Meliponas: existem variações de população para cada espécie de abelha, no entanto, geralmente em torno de 2.000, a rainha não voa e em caso de problemas (queimadas, etc.) todo o enxame morre. Existem abelhas, como as tubunas (Scaptotrigona bipunctata) que passam muito esse valor podendo chegar a até 50.000 abelhas, mesmo assim, não são tão fortes e grandes quanto as apis.


Outra informação importante é que as africanizadas não polinizam todas as plantas, pois, algumas flores necessitam da vibração que é característica das melíponas e outras flores requerem maior tamanho da abelha como a flor do pequizeiro e maracujazeiro que necessitam das abelhas da tribo Bombini para polinização, pois, estas são grandes o suficiente para se sujarem com o pólen enquanto se fartam com o néctar e tocar os estigmas das flores com suas costas durante seus voos de flor em flor. Veja imagem:






Cada abelha tem uma especialidade diferente na natureza e em sua região de ocorrência. Cada lugar possui suas especialistas!


“Entre as abelhas existem diferentes modos de vida, denominados graus de sociabilidade. Os dois extremos são: as espécies de vida solitária e aquelas de vida totalmente social (eusociais). Entre estes extremos existem categorias como: subsociais, parasociais, ou quasesociais, que se diferenciam pela presença e domínio de uma rainha.” http://eco.ib.usp.br/beelab/solitarias.htm


Todas as abelhas são importantes para o ecossistema, sendo assim, por mais que, diretamente, algumas não forneçam nada, podemos construir casas para elas e que são conhecidas internacionalmente como “bee hotels” ou hotel para abelhas. Veja imagem:






Bom saber que esses besouros pretos, amarelos e gigantes, verdes que parecem moscas e que às vezes causam medo são na verdade abelhas e de extrema importância para o meio ambiente.


Essas abelhas verdes e/ou azuis são da tribo Euglossini, também conhecidas como abelhas de orquídea, são as principais responsáveis por polinizar essas plantas. Também polinizam diversas outras flores, porém, as meliponas e apis não polinizam as orquídeas.





Abelha: Euglossa bazinga



Você deve estar pensando: “Meu deus! Eu nunca imaginei que existiam tantos tipos de abelhas e que elas eram tão importantes!”.


Ainda tem mais. Estima-se que existam mais de 20.000 (vinte mil) espécies de abelhas no mundo e que ¼ delas esteja no Brasil.


Vamos um pouco mais a fundo agora. Abaixo segue a classificação científica para as abelhas mais criadas no Brasil e outras que devemos ter cuidado:


1.       Reino: Animalia

2.       Filo: Arthropoda

3.       Classe: Insecta

4.       Ordem: Hymenoptera

5.       Subordem: Apocrita

6.       Superfamília: Apoidea

7.       Família: Apidae

8.       Subfamília: Apinae

9.       Tribos: Meliponini

10.   Gêneros (mais conhecidos):

a.       Melipona

b.      Tetragonisca

c.       Trigona

d.      Scaptotrigona

e.      Nannotrigona

f.        Plebeia

g.       Partamona

h.      Oxytrigona

i.         Frieseomelitta

j.        Lestrimelitta




Durante o decorrer do aprendizado, os nomes científicos e populares das abelhas, junto com suas fotos serão apresentados, facilitando a absorção do conhecimento.


Alguns exemplos de abelhas por gênero:


Melipona --> Melipona scutellaris --> Uruçu verdadeira, uruçu nordestina


Dizem que esta é a rainha das abelhas, é a abelha que possui maior divulgação e conhecimento popular. São muito populosas, produzem boa quantidade de mel e são fáceis de dividir.





Nesta foto conseguimos ver lamelas de cerume, discos de cria, operárias e rainha. Todos esses itens serão mais detalhados mais para frente.


Tetragonisca --> Tetragonisca angustula --> Abelha Jataí


Embora seja pequena e não produza muito mel, possui o mel mais caro e mais limpo que existe. Embora o mel de outras abelhas seja usado para tratamento de diversas doenças, o que mais impressiona no de Jataí é que algumas pessoas o utilizam no olho para tratamento de catarata (não aconselho a fazer isso, pois, não tenho conhecimentos médicos para receitar qualquer tipo de tratamento).

 



Este é um canudo de entrada de abelhas Jataí, contém as abelhas de guarda e durante a noite elas o fecham com cera para proteção da colônia.


Trigona --> Trigona spinipes --> Irapuá, Abelha cachorro






O mel dessa abelha não é indicado para consumo, pois, ela é uma abelha suja, embora o mel, dentro do pote, seja limpo, é difícil coletar o mesmo sem que o mesmo suje com detritos da colônia. Dizem que este mel também pode ser tóxico, portanto, não indicado para consumo.


Esta abelha é bastante comum, pois, não precisa de oco de arvores para nidificar, sua colônia é de fácil visualização e é extremamente agressiva.


É facilmente confundida com a abelha Trigona hyalinata (Guaxupé).






Scaptotrigona --> Scaptotrigona bipunctata --> Tubuna






É uma abelha que, embora pequena, é boa produtora de mel, é muito agressiva.


Nannotrigona --> Nannotrigona testaceicornis --> Iraí






É uma abelha muito criada, não é boa produtora de mel e nem de pólen, porém, é excelente polinizadora. É ótima polinizadora de morangueiros.


Plebeia --> Plebeia droryana --> Mirim, Mirim droryana






Abelha que é criada em sua maior parte pela beleza das mirins e para conservação das espécies. Cada abelha, como falado antes, possui uma especialização. Seu mel é ótimo, no entanto, produzido em quantidade muito pequena.


Partamona --> Partamona cupira --> Cupira






Abelha que nidifica em cupinzeiros, por isso o nome, enxame é agressivo, difícil de adequar às caixas racionais, pois, é acostumada com estabilidade térmica que os cupins provem. Quando bem estabelecida, é boa produtora de mel.


Oxytrigona --> Oxytrigona tataíra --> tataíra, caga fogo






Preste bem atenção na foto e corra! Estas abelhas liberam ácido fórmico nos invasores e causam sérias queimaduras. Também são muito agressivas. Mas... Digamos a verdade. São lindas!


Frieseomelitta --> Frieseomelitta varia --> Marmelada amarela brava










São abelhas agressivas, fantásticas, não são boas produtoras de mel e nem pólen, mas são ótimas de se olhar. Embora produzam pouco, o mel possui ótimo sabor.


A abelha é muito confundida com borá (Tetragona quadrangula)






Esta abelha é para especialistas e para quem tem tempo. Muito sensível aos forídeos (mosca ligeira), a maior praga das abelhas sem ferrão. É uma abelha agressiva e requer profundo conhecimento em meliponicultura.


Lestrimelitta --> Lestrimelitta limao --> Iratim, abelha limão





Esta abelha não produz mel e nem pólen. Evoluíram para pilhar outras abelhas ao ponto de não possuírem corbícula, órgão destinado ao transporte de pólen, cera, barro e o que elas acharem interessante para suas colônias. Caso suas abelhas estejam sofrendo ataque ou se encontrar túnel de entrada parecido com este da foto acima, basta espremer uma abelha e cheirar. Se o cheiro for parecido com cheiro de limão é ela!







domingo, 11 de novembro de 2012

Comprovando a Eficiência das Iscas PET

  • Tem muita gente falando de isca desenvolvida ao longo dos anos, porém, basta seguir os seguintes passos:
    • Coletar própolis de Jataís ou comprar de criadores sérios;
    • Misturar o própolis da Jataí com álcool de cereais;
    • Aguardar uns 15 dias balançando diariamente a mistura;
    • Colocar a mistura em uma garrafa pet;
    • Envolver a pet com jornal e plástico para controle de temperatura e claridade;
    • Fazer furo na tampa da garrafa de mais ou menos 10mm;
    • Colocar um pouco de cerume na borda do furo da tampa;
    • Para melhorar o cheiro, colocar um pouco do cerume por dentro da tampa também;
    • Está pronta a isca pet para Jataís.
  • Sucesso nas capturas!


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As Rufiventris

A foto abaixo é de uma colônia de Melipona rufiventris rufiventris ou Tujuba.

A caixa onde estão acondicionadas é uma caixa modelo INPA sem as melgueiras, pois, foram recentemente migradas de caixa.

Elas estão indo muito bem, já construíram vários potes de mel e eu ainda nem tinha fornecido alimentação extra.




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Caixas Racionais


Vamos falar um pouco, em alto nível, sobre as caixas racionais para asf.


Existem diversos tipos de caixa para asf. Os mais conhecidos são:

  1. PNN1 e 2
  2. INPA
  3. SOBENKO
  4. Nordestina
    Considero a PNN1 e PNN2 ruins para a extração do mel, pois, temos que remover uma melgueira cheia e colocar outra nova no lugar, se não tivermos melgueira nova, o ninho fica exposto enquanto retiramos o mel e de qualquer forma afetamos o ninho. 

    A caixa que considero mais racional, pela facilidade de ser construída e pela funcionalidade é a modelo INPA, pois, o ninho fica relativamente isolado da melgueira e podemos remover a mesma colocando apenas a tampa da CAIXA no lugar.

    Alguns modelos de caixa mostram tampas e fundos com tamanhos diferentes dos demais módulos. Sempre que realizamos mudanças de caixas ou divisões, precisamos isolar a caixa com fita crepe e fica mais complicado isolar uma caixa com medidas inexatas, portanto, se quiser enfeitar na tampa e fundo, deixe um espaço por onde a fita crepe passe sem dificultar a sua vida.

    • A madeira a ser utilizada nas caixas não deve ser extremamente densa, como o ipê , pois, madeiras muito densas acumulam humidade.
    • Usem sempre madeiras bem secas. O cheiro da madeira verde pode afugentar as abelhas e a madeira empena enquanto seca.
    • Quanto maior a espessura da madeira melhor, só tenha cuidado para a caixa não ficar muito pesada, dificultando o manejo.
    A partir da próxima semana irei colocar algumas fotos dos enxames do meliponário.

    Grande Abraço,

    Lucas.